Tour Literário JP: Zé Américo, Zé Lins, Augusto e Ariano
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A Parahyba em verso & prosa
Visitando nossos escritores




Uma jornada literária paraibana


Seja bem-vindo a uma João Pessoa que poucos conhecem. Para além do sol e das águas mornas, nossa capital é o solo que guarda a memória de mentes que brotaram pela Paraíba e transformaram a literatura brasileira.

Neste roteiro exclusivo, convido você a caminhar pelos corredores de José Américo de Almeida, o homem que deu voz ao sertão; a sentir a nostalgia dos engenhos no museu de José Lins do Rego; a desvendar o simbolismo profundo de Augusto dos Anjos e a visitar o berço de Ariano Suassuna, o defensor da nossa cultura armorial.

Prepare-se para uma imersão na inteligência, na resistência e na poesia paraibana. Mais que um passeio, é um encontro com a identidade de um povo que faz da palavra a sua maior força.".



Fundação Casa de José Américo (FCJA)

Casa de José Américo

Nossa primeira parada será na orla do Cabo Branco, no número 3336. Foi nesta residência que José Américo de Almeida (*1887 - †1980) viveu grande parte de sua trajetória política e literária.

O escritor residiu no local desde o início da década de 1950, logo após concluir seu mandato como Governador da Paraíba, permanecendo ali até o seu falecimento, em 10 de março de 1980.

Transformada em museu e aberta à visitação em 10 de janeiro de 1982, a casa preserva o mobiliário original, obras de arte, porcelanas e objetos de uso pessoal. O acervo inclui ainda honrarias, medalhas e um vasto arquivo fotográfico que reconstrói a história da Paraíba e do Brasil.

A biblioteca particular de José Américo conta com cerca de 3.600 volumes, incluindo obras raras dos séculos XVII ao XX. A experiência começa pelo terraço — com sua vista privilegiada para o mar — onde ainda se encontram as cadeiras originais em que o mestre recebia amigos, intelectuais e autoridades.


Sobre o Autor: José Américo nasceu no Engenho Olho d'Água, em Areia (PB), em 10 de janeiro de 1887. Marcou a literatura nacional com a publicação de:
A Bagaceira (1928), obra precursora do romance regionalista moderno. É o local onde se amontoa o bagaço da cana-de-açúcar logo após ela ser moída. No romance simboliza o que sobra: o que é espremido, seco e descartado pelo sistema dos grandes latifúndios, o povo.
O Boqueirão (1935) - Foca no drama social e humano dos retirantes e trabalhadores que se aglomeram na construção de um açude.
Coiteiros (1935) - O sertão profundo, as fazendas e o cangaço. O título refere-se àqueles que davam abrigo e proteção aos cangaceiros.

Fato curioso e marcante de sua trajetória é que Zé Américo é imortal da Academia Brasileira de Letras e da Academia Paraibana de Letras, ocupando, em ambas as instituições, a cadeira de número 38.
Além de sua relevância literária, teve uma carreira política de destaque, atuando como Ministro de Estado e Governador da Paraíba.

José Américo faleceu em João Pessoa, no dia 10 de março de 1980, deixando um legado de ética e amor à cultura paraibana.


"Viver, não a sua idade, mas o seu tempo." — José Américo de Almeida


Espaço Cultural & Museu José Lins do Rêgo

Espaço Cultural

Nossa segunda parada será no Espaço Cultural José Lins do Rêgo. Em uma área total de mais de 22 mil m², o local abriga o Centro de Convenções de João Pessoa, oferecendo infraestrutura completa para o turismo de negócios e eventos culturais. Além do Centro de Convenções, o complexo dispõe de:

Dois teatros (sendo um de arena), galeria de artes, cinema, planetário, biblioteca, luteria, praça coberta com capacidade para até 15 mil pessoas e um museu inteiramente dedicado a José Lins do Rego (*1901 - †1957).



Museu José Lins do Rego

Museu Zé Lins

O museu preserva o acervo pessoal, livros e documentos do escritor paraibano, além de contar com seu escritório original remontado, proporcionando uma imersão profunda na vida do autor de Menino de Engenho e Fogo Morto.

Acervo Pessoal: Mais de 5 mil volumes, móveis e manuscritos originais.
Documentos: Passaportes, cartas e prêmios recebidos pelo autor.
Escritório Remontado: Recriado fielmente com base em registros fotográficos.
Obras Traduzidas: Exemplares de seus romances publicados em diversas línguas.


Sobre o Autor: José Lins do Rego Cavalcanti nasceu no Engenho Corredor, no município de Pilar, Paraíba, em 3 de junho de 1901. Descendente de famílias tradicionais do Nordeste açucareiro, sua infância nos engenhos foi a principal fonte de inspiração para sua literatura.

Sua produção literária é frequentemente dividida em três fases:
O Ciclo da Cana-de-Açúcar, com obras-primas como Menino de Engenho, O Moleque Ricardo e Fogo Morto;
O Ciclo do Cangaço, com Pedra Bonita e Cangaceiros;
Obras Independentes, como Eurídice e Pureza.


Zé Lins formou-se em Direito em 1923, na Faculdade de Direito do Recife. Exerceu o cargo de Promotor Público em Minas Gerais por um curto período e colaborou com diversos jornais, destacando-se no Jornal dos Sports, no Rio de Janeiro. Flamenguista fervoroso, chegou a ser Presidente do Conselho Deliberativo do clube.
O escritor faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1957.


"O que me fica no ouvido é o barulho das águas dos meus rios." — José Lins do Rego



A Sede da Academia Paraibana de Letras - Augusto dos Anjos



Nossa terceira parada será na Academia Paraibana de Letras - A Casa de Coriolano Medeiros.

A trajetória da Casa de Coriolano de Medeiros rumo à sua sede definitiva é marcada por importantes conquistas institucionais:
✔ Marcos Iniciais: Em 1947, sob a presidência de Oscar de Castro, a APL recebeu a doação de um imóvel na Rua Visconde de Pelotas. Contudo, devido às limitações do terreno, a sede própria só foi plenamente estabelecida com a aquisição do casarão histórico de número 25, na Rua Duque de Caxias, onde permanece até hoje.
✔ Expansão e Unificação: Em 1981, durante o governo de Tarcísio Burity, a Academia adquiriu o prédio contíguo (nº 37). A unificação dos dois imóveis criou o complexo cultural que conhecemos, preservando a arquitetura e a história do centro da capital.
✔ O Espaço Augusto dos Anjos: Em 1984, na gestão de Luiz Augusto Crispim, foi instalado dentro da sede um setor dedicado à preservação da memória de Augusto dos Anjos. Este acervo, que abriga objetos pessoais e manuscritos do "Poeta do Eu", foi totalmente revitalizado em 2001.
✔ Reconhecimento: Declarada de utilidade pública em 1948, a APL é o principal centro de cultura literária do Estado, abrigando também a Biblioteca Álvaro de Carvalho, referência para pesquisadores e bibliófilos.

Sobre o Autor: Nasceu no Engenho Pau d'Arco, município de Cruz do Espirito Santo, hoje pertencente a Sapé (PB), no dia 20 de abril de 1884. Conhecido como o "Poeta do Eu", é uma das vozes mais originais e profundas da literatura brasileira, unindo o simbolismo à crueza científica do pré-modernismo. Formou-se em Direito em Recife e foi professor no tradicional Lyceu Paraibano.

Sua trajetória literária é única:

Obra Única: Publicou em vida apenas o livro Eu (1912), uma obra que chocou a sociedade da época por seu vocabulário científico e temas existenciais.
Legado Eterno: Após sua morte, a obra foi ampliada para Eu e Outras Poesias, tornando-se um dos livros de versos mais lidos e reeditados do Brasil.
O Estilo: Seus versos exploram a decomposição da matéria e a angústia da alma, criando uma conexão visceral com o leitor.


Hoje, é patrono da cadeira nº 1 da Academia Paraibana de Letras, e sua memória é preservada através de seus manuscritos e objetos pessoais que você conhecerá neste Memorial.

Embora tenha nascido sob o sol dos canaviais paraibanos, Augusto faleceu precocemente, vítima de pneumonia, na cidade de Leopoldina (MG), no dia 12 de novembro de 1914.


"Toma um fósforo. Acende o teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja."


Versos Íntimos - Augusto dos Anjos


Da Umidade das Várzeas ao Sol do Cariri: O Ciclo da Vida e da Obra



'Nossa jornada começa onde a terra é generosa e o caldo é doce, nos grandes engenhos, e culmina onde a palavra precisa ser forte para brotar na aridez do solo sertanejo'


José Américo de Almeida: Nasceu no Engenho Olho d'Água (Areia).
José Lins do Rego: Nasceu no Engenho Corredor (Pilar).
Augusto dos Anjos: Nasceu no Engenho Pau d'Arco (Cruz do Espírito Santo - atual Sapé).


Essa herança do "açúcar e do sangue" moldou o regionalismo e a poesia profunda que você conhecerá nesta primeira parte do trajeto. Prepare-se, pois após desbravarmos o Brejo Paraibano com o Ciclo da Cana, cruzaremos as fronteiras da imaginação rumo ao Cariri de Ariano Suassuna e ao Sertão de Leandro Gomes de Barros.



Palácio da Redenção - Berço de Ariano Suassuna



Nossa última parada será na Praça João Pessoa onde visitaremos o Palácio da Redenção, antiga sede do governo estadual e hoje sede do Museu de História da Paraíba.

Ariano Suassuna: O "Profeta do Sertão" e mestre do Realismo Esperançoso. Único escritor paraibano a nascer no Palácio da Redenção (sede do governo), no dia 16 de junho de 1927, Ariano transformou a cultura popular do Nordeste em arte universal. Embora nascido na capital, foi no Cariri, em Taperoá, que sua alma se vestiu de sol e sua escrita se alimentou da poesia dos cordéis e dos desafios de viola.

Marcos de uma trajetória épica:

O Auto da Compadecida (1955): Sua obra mais famosa, que elevou a alma brasileira ao teatro mundial, unindo o sagrado e o profano com humor e crítica social.
Movimento Armorial: Criado em 1970, foi o grande esforço de Ariano para criar uma arte erudita brasileira a partir das raízes populares (música, pintura e literatura).
Defesa da Cultura: Advogado por formação e mestre por vocação, dedicou a vida a exaltar a identidade nordestina contra a "massificação" estrangeira.


Ariano faleceu em Recife em 2014, mas sua voz continua ecoando em cada lajedo do Cariri. Ele nos ensinou que o Sertão não é um lugar de seca, mas uma fonte inesgotável de civilização e resistência, onde a imaginação é a maior arma do povo.


"O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso." — AS



Leandro Gomes de Barros - O Pai do Cordel



Sobre o Autor: Leandro foi o "Primeiro Sem Segundo", patrono da literatura de cordel no Brasil. Nascido em Pombal (PB), em 19 de novembro de 1865, ele foi o homem que transformou as histórias ouvidas nas feiras do Sertão em poesia impressa, criando a primeira editora de folhetos do país.

O legado do Pai do Cordel:

Pilar de Ariano: Foi na poesia de Leandro que Ariano Suassuna buscou a base para criar o "Auto da Compadecida" (o testamento da cachorra e o encontro com o diabo são inspirados em obras de Leandro).
Voz do Povo: Suas rimas tratavam de tudo: desde sátiras políticas e cangaceiros até histórias de amor e moralidade popular.
O Grande Clássico: Autor de História do Boi Misterioso e O Cachorro dos Mortos, Leandro vendeu milhões de folhetos em uma época de pouco letramento.

Embora tenha falecido em Recife, em 04 de março de 1918, Leandro permanece como a raiz mais profunda da árvore literária paraibana. Ele provou que a sabedoria do sertanejo cabe perfeitamente em estrofes de seis e sete versos.


"A alma é uma luz que não se apaga / É um sopro de Deus que não se finda." — LGB


Mapa do Tour Literário

Do Cabo Branco ao Centro Histórico: Siga os passos dos nossos mestres.


Os Dinossauros e o Bode


Abdo & Alfonso, dois guias que os mais novos chamam de "Dinossauros do Turismo". Com décadas de estrada e um olhar apurado para o que há de mais autêntico no nordeste, decidimos que era hora de mergulhar no universo de Ariano Suassuna, Zé Lins, Zé Américo, Augusto dos Anjos e Leandro Barros
Por que o Bode?
Para o nosso Tour Literário, escolhemos o Bode como mascote. O Bode é o símbolo da resistência do sertão, da altivez do Cariri e da estética da xilogravura que ilustra os nossos cordéis. Assim como nós, o bode conhece o terreno que pisa, é resiliente e carrega em si a essência da cultura popular.
O que fazemos?
Unimos a bagagem de quem já viu de tudo no turismo com a paixão pela palavra escrita. No tour-literario, não entregamos apenas passeios; entregamos a vivência real dos cenários que imortalizaram a literatura paraibana.


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Lembrando que o tour é efetuado em veículo particular com ar condicionado para até 4 passageiros, eventualmente disponibilizamos uma Spin para até 6 passageiros.


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O Autor

Guia de Turismo Abdo Hamdam
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